Transamazônica custou 12 bilhões de dólares!!!

A maior obra pública da história da Amazônia não é a hidrelétrica de Tucuruí, mas a Transamazônica. Ao menos na contabilidade do deputado federal Delfim Netto. Em entrevista à revista Istoé Dinheiro, ele afirma que a estrada custou nada menos do que 12 bilhões de dólares, ou aproximadamente 35 bilhões de reais (quase três vezes o orçamento da usina de Belo Monte). O cálculo considera uma extensão de cinco mil quilômetros construídos, embora o ex-ministro admita que a obra "resultou num enorme fracasso e nunca ficou pronta".
A decisão de construir a rodovia, relata Delfim, "aconteceu numa viagem de avião. Eu e o presidente Médici estávamos voando de Manaus para Recife. Àquela altura havia uma seca brutal no Nordeste. Médici viu a mata de cima, virou-se para mim e disse: 'Temos de fazer alguma coisa. Quero abrir uma estrada para aliviar as pressões sociais'" (grifado pela revista). O atual deputado federal paulista diz que agiu imediatamente : "Sem consultar ninguém, nem mesmo os governadores da região, cortou metade dos subsídios dados à Sudene e à Sudam", escreve o autor da entrevista (a principal fonte de recursos foi um corte de 30% nos recursos dos incentivos fiscais para a Amazônia e o Nordeste, algo equivalente, hoje, a mais de um bilhão de reais ao ano).
Delfim acrescenta que na definição da obra prevaleceu novamente a vontade dos generais sobre a questão técnica. E reconhece que "o projeto grandioso foi iniciado sem que estudos sobre seu impacto na região fossem realizados". Literalmente um tiro no escuro (e, talvez, no pé). Palavras do então todo-poderoso ministro: "Ninguém sabia as conseqüências da ocupação. A fórmula se mostrou absolutamente inconveniente. Ninguém investigou cientificamente o que se podia fazer lá". Mas, como observar o entrevistador, o Delfim de hoje lava as mãos: "Eu cumpri a minha obrigação, arrumei o dinheiro". Ou seja: Delfim tirou de sua cartola de mágica nada menos que US$ 12 bilhões. Afirmativas tão graves mereceram três parágrafos em um subtítulo da matéria, de oito páginas, que foi para a capa da revista. Sugiro ao Ministério Público Federal instaurar um inquérito administrativo e imediatamente convocar o parlamentar para que ele esclareça como a Transamazônica pôde custar US$ 12 bilhões. No início da década de 70 uma das minhas mais demoradas investigações foi dedicada ao custo da estrada, apresentada pela propaganda do regime militar como a única obra em andamento na Terra equiparável à conquista da Lua, o mais notável empreendimento do engenho humano naquele momento. Do espaço, os astronautas observariam apenas duas realizações terráqueas: a Transamazônica e a muralha da China. Raciocínio típico daqueles anos de chumbo. Depois de meses, cheguei a um número bem apurado. Escrevi o texto e o apresentei ao dono de O Estado de S. Paulo, Júlio Mesquita Neto, que vinha me incentivando a tratar do assunto. O "doutor Júlio" transformou o texto em editorial principal do jornal no dia seguinte. Não tenho condições, neste momento, de atualizar aqueles cálculos, não só pelo trabalho em si que a tarefa exigiria como por não ter à mão os dados da memória de cálculo. Espero poder fazer essa atualização algum dia. Mas certamente a soma atualizada daria incomparavelmente abaixo do valor revelado por Delfim Neto à revista paulista.
Custo: São poucos os lugares onde é possível ver o asfalto, na verdade o único lugar em que a rodovia tem condições ideais de trafego é no estado da Paraíba, o trecho que liga Campina Grande à João Pessoa é o sonho de qualquer caminhoneiro que trafega pela BR230.
Sem duvida, a rodovia Transamazônica é a pior estrada do nosso país, muitas vezes ela liga o nada a lugar nenhum, os próprios moradores que persistem em suas margens chamam-na de Trans-Amargura, Trans-Lama, Transtorno...
Existem trechos da rodovia quase impossíveis de percorrer, em vários pontos as pontes literalmente estão sós os cacos, até de bicicleta tem que ter muito cuidado, nas fotos ao lado o sonho da transamazônica, duplicada, asfaltada e bem sinalizada, apenas 150 Km dos 5.000 estão nestas condições.