Projeto Amazon-Bike

Entrevista para o Jornal Diario do Grande ABC

Enquanto a maior parte dos cicloturistas escolhe roteiros que aliem belas paisagens e boa infra-estrutura para pedalar, outros preferem justamente os lugares menos propícios para se encarar de bicicleta.
É o caso do aventureiro Dan Robson,que retornou a sua casa em São Bernardo do Campo no último dia 10, depois de passar mais de 70 dias cruzando o país de Oeste a Leste pela precária rodovia Transamazônica, desde o Rio Branco, no Acre, até a capital paraibana de João Pessoa.

Embora o percurso entre as duas capitais seja de aproximadamente 4,5 mil quilômetros, os desvios e obstáculos levaram o ex-analista de sistemas a ter de pedalar mais de 6 mil quilômetros para chegar ao mesmo destino. Isso sem falar nas subidas e descidas que o próprio aventureiro qualifica como "descomunais".

E o que é pior: em época de chuva. "os últimos 21 dias foram inteirinhos debaixo de água. Nessa época, a Transamazônica fica praticamente intransitável; bem difícil terminar a viagem", conta Dan Robson, que caracteriza o roteiro como belíssima e, ao mesmo tempo assustador, já que fica longe de qualquer lugar onde se possa pedir socorro caso suja algum imprevisto.

"Antes de iniciar o percurso, peguei algumas informações no 54 Batalhão de Selva da Amazônia, que me orientou quanto ao cinco piores problemas da região: o risco de contrair malária, as péssimas condições da estrada em si, os assaltos, os conflitos entre índios e garimpeiros, e os animais como onças e cobras. Mas o pior de tudo é a malária que pode matar se não for tratada a tempo".

Como compensação a essas dificuldades e à falta de socorro, Dan destaca a infinidade de tipos de frutas que podem ser colhidas ali mesmo, bem à margem da rodovia, como a manga, ìnga, cupuaçu, maracujá silvestre e banana, entre outras. "De fome ninguém morre na Transamazônica."

Começar um novo projeto, você fica meses imaginando como será, de repente lá esta você diante da realidade, ou melhor do calor insuportável, desço do avião e sinto o calor que paira no ar, deixo São Paulo com seus 15 graus e estou eu aqui no Acre com mais de 40 graus, é para deixar qualquer um suando sem parar, demorei 3 dias para começar a suportar o que chamo de Sauna Amazônica, com a sua umidade e temperatura absurda.
como se meu corpo tivesse um furo ou vazamento qualquer, coloco uma blusa de manga cumprida molhada para tentar me refrescar um pouco, respiro fundo e começo a pedalar, os primeiros 10 quilômetros são tranqüilos mas quando chego a marca dos 16 quilômetros sinto um calor descomunal e me abrigo na cabine com ar condicionado da policia rodoviária, confesso que bateu um desanimo e não tive coragem de continuar a viagem, até os policiais sentiram o calor, imagine eu um pobre paulista acostumado com o frio literalmente fritando no asfalto do Acre, como a noite já estava se aproximando pedi para acampar ao lado do posto fiscal, com o consentimento deles fui logo me deitar, para evitar os inúmeros insetos e mosquitos da região, deixei a barraca com a tela fechada, fiquei me abanando a noite inteira até meu braço ficar dolorido e desmaiar de sono, não demorou muito e acordei todo molhado, tinha imaginado que estava com febre, não era verdade era sim o suor que não parava de cessar, fui até a cabine dos policiais e pedi um pouco de água gelada, me sentei um pouco na cadeira, que bom o ar condicionado e a água gelada me deram um alento ao calor da noite, foi quando o Sargento Farias me disse,

- Se você quiser pode dormir aqui dentro no alojamento, você deve estar fritando dentro daquela barraca quente.
Olhei para ele como se ele tivesse lendo meus pensamentos, mas antes de dizer sim, veio o não, sem pensar uma voz me dizia lá dentro,
- Você tem que acostumar com o calor para poder dar continuidade com a viagem.

Deixei o conforto e o ar refrescante da cabine policial e voltei para minha estufa, foi uma noite bem longa até que meu corpo apagou, senti durante a madrugada uma leve brisa que vem da mata, lá pela 2 da manhã pude sentir a temperatura baixar até uns 20 graus, que bom vou agora poder dormir um pouco, amanhão vou realmente começar o projeto Amazon Bike...
Tudo pronto, deixo meus pensamentos para traz, estou diante da realidade, o calor de 40 graus deixa bem claro que esta viagem não vai ser nada fácil sinto minha pele fritar com os raios do sol e consumo litros e litros de água,
Durante a viagem, mais de 70 dias levarei para chegar até João Pessoa, neste percurso teverei que pedir aos moradores da rodovia, autorização para poder acampar ao lado de suas casas, pois em muitos locais não existem hoteis ou camping...