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![]() ![]() ![]() Entrevistas
de Dan Robson: REVISTA
ECO AVENTURA
Nesta edição, a história do leitor conta a aventura do analista de sistema Dan Robson, que um dia resolveu mudar de vida e buscar seu verdadeiro sentido "Eu queria conhecer o Brasil, mas principalmente me conhecer. Pensar no meus erros, defeitos, medos.....", lembrar. Essa resposta veio com o projeto Areias365, em proposta de caminhar e acampar por todo o litoral brasileiro. Seria a primeira aventura de Dan Robson, realizada em 4 etapas, que você vai acompanhar cada uma delas nas páginas da revista Ecoaventura, Dan que chegou a passar fome, revela que a dificuldade de mater o equilíbrio psicológico supera os desafios físicos, mas não se arrepende de nada e se diz outra pessoa agora, acompanhe agora cada passo desta jornada e descubra junto com Dan o encantos da nossoas praiasMas antes de iniciar a história desta longa viagem deixe-me dizer como tudo Começou, em 27/12/1999... Todo mundo deseja realizar um sonho, e comigo não foi diferente. Fui muito criticado por ser uma pessoa sonhadora, mas no meu intimo sabia que um dia iria encontrar o meu caminho, não sabia exatamente "como" mas tinha certeza que um dia, Deus mostraria, qual a razão de tanta inquietude. Este dia chegou, em pleno final de ano, em 1999, comecei a refletir sobre minha vida, estava como de costume almoçando em frente ao computador, e meus familiares na cozinha. Percebi, então que estava muito mais distante deles do que parecia, dias, talvez meses, até mesmo anos. Nos últimos quinze anos, a minha vida, resumia-se em trabalhar com computadores e eu não tinha dado conta que estava há anos distante de todo um sistema social que é humanamente necessário para todo mortal. Será que teria uma chance de mudar minha vida? Eu estava infeliz com a qualidade de vida que possuía, e o que poderia fazer? A única coisa que sabia era trabalhar com computadores.Foi quando procurei descobrir o que poderia me dar prazer. Percebia, cada vez mais, que falar sobre aventura; e todas matérias sobre pequenas e grandes expedições dos aventureiros e expedicionários, faziam meus olhos brilharem e minha imaginação navegar. Foi quando percebi, que eu poderia realizar uma aventura!! ser um aventureiro!!! Isto realmente preencherá o vazio que estava em mim. Assim procurei idealizar um projeto, mesclando estudos sócios econômicos, ciência e psicologia. E foi desta maneira e com estes pensamentos que nasceu o Projeto Areias365.1 Etapa do Projeto Areias365, Rio Grande do Sul / Santa Catarina / Paraná / (1.370 Km em 60 dias de pé na estrada).No primeiro dia da expedição, sozinho, na praia do Chui em Rio Grande do Sul, lugar onde nunca poderia imaginar que se daria minha primeira aventura; tive uma sensação de medo com liberdade.Uma emoção estranha, mas forte. Ao sul do meu país o início e ao norte o desconhecido. Após algumas horas a noite cai, procuro montar acampamento, em pouco tempo adormeço. Sonhando com minha família e minha namorada, de repente sou acordado pelos fogos de artifícios.Era o inicio do novo ano, meu primeiro ano novo longe de todas as pessoas que fazem parte de minha vida e estão ao longe acompanhando meu novo caminho, minha nova vida, onde procuro encontrar nesta viagem os caminhos do meu próprio ser. Logo o dia amanhece e já estou de pé para continuar minha viagem, enquanto a hora do almoço se aproxima busco informações sobre o local, e gentilmente um senhor me oferece uma refeição.Saboreando uma excelente comida caseira e um longo bate papo, o Sr Edeir (um pescador da região) me alerta sobre uma lenda local, A Lenda do Pé Grande.Dando pouca importância sobre o fato, e julgando que o aviso era uma forma de amedrontar, agradeci a comida e segui minha viagem. O sol era muito forte, mas amenizado pela tranqüilidade do local, era algo surpreendente. Já tinha andando por quase oito horas e não havia encontrado ninguém pelo trajeto percorrido,o silêncio era cortado por ondas suaves e, como já passava das vinte horas , decidi montar acampamento ali mesmo, mas algo chamou minha atenção; havia no local varias pegadas, e com medo, mas também muito curioso decidi investigar as pegadas e deixei minha mochila ali mesmo na areia, seguindo as pegadas em direção as dunas. Logo chego próximo a uma restinga; algo se mexe e um grito ensurdecedor paira no ar.Sem respirar ou pensar, rolo a duna em direção a minha mochila e no meio da correria deixo cair toda a comida e vários utensílios. Correndo como um louco não consiguia imaginar algo a não ser o monstro do Pé Grade, que o senhor Edeir mencionou. A noite procuro abrigo numa casa abandonada , provavelmente de pescadores e durmo com fome. O dia clareia e sigo viagem para procurar comida e alguma explicação para a noite anterior, mas não há ninguém. Durante as trinta horas passadas do ocorrido sem comida alguma, decido comer as raízes do capim para ter algo para me sustentar, o gosto era horrível, mas pelo menos a dor de cabeça tinha cessado.Para minha surpresa, avisto o farol de Albardão, onde tinha a esperança de encontrar comida e algum morador.Não demorou muito e minha esperança estava certa, logo à noite, estou jantando com os meus novos amigos, o Cabo da Marinha e o Sargento Gregório, surpreendem-se com minha estória e caem na gargalhada desvendando e explicando que o destemido monstro do Pé Grande, era na verdade um bando de Macacos Bugil, que vivem naquelas localidades. Quem diria uma lenda local me fez passar fome e ainda tive que comer capim para poder sobreviver.!!Os dias seguintes da viagem foram mais calmos , admirava todas as belezas do Litoral do Rio Grande do Sul, fiz grandes amizades e inúmeras pessoas contribuíram dando pouso e um delicioso jantar. O que realmente chamou minha atenção em todo o litoral Gaúcho, foi à cidade de Torres e suas gigantescas muralhas de pedras e maravilhosas montanhas, uma vista inesquecível e fantástica que me surpreendeu com sua magnífica beleza, e a sensação de harmonia e paz que nos permite sentir é gratificante. Seguindo viagem , cidade de Passos de Torres- início de Santa Catarina,começo a percorrer o estado que possui uma beleza fora de série, suas belíssimas praias me surpreenderam a cada dia e o povo ainda mais simpático. Muitos acreditam na descriminação dos sulistas em relação a aventureiros, mas realmente isto é puro fetiche, porque fui acomodado em suas casas de maneira que me surpreendeu, em muitas ocasiões até os próprios donos de pousadas e hotéis não cobravam nada de mim e até faziam questão de me hospedarem em seus estabelecimentos. Santa Catarina um estado onde à magia paira no ar ,onde o povo e um dos mais belos de todo o País e as mulheres loiras esguias de olhos claros chamam a atenção a todo o momento, e me fazem a recordar da minha namorada que deixei em São Paulo. Deixando de lado toda esta belíssima visão sigo meus dias conhecendo muitas praias e algumas ainda em estado total de preservação, lugares realmente belos onde pude passar dias conhecendo a peculiaridades das pessoas. E também puder realizar a pesquisa sobre as ervas medicinais que os povos ribeirinhos utilizam, existente em todo litoral brasileiro ,coletando material. Chegando no Paraná, tenho uma breve, mas aconchegante viagem, pois o litoral paranaense em relação aos dois Estado anteriores é bem menor, e tendo a oportunidade de conhecer a ilha do Mel, sem dúvida o nome é exatamente o que ela representa, um lugar com uma energia maravilhosa onde a única intenção dos visitantes é realmente passar momento em total harmonia com a natureza e todos que ali estão. Foi um final de semana inesquecível para mim, mas como tudo que é bom dura pouco tenho que seguir meu caminho em direção a Guaraquecaba, mas para isto teria que ir de barco até Paranaguá e de lá pegar outro barco para o meu destino, chegando na cidade informado como chegar em São Paulo peguei uma trilha do povoado de Batuva à Taquaril. A noite chega e de forma rápida um temporal se fecha ,a chuva forte me deixa todo ensopado e os relâmpagos caem a todo o instante me deixando apavorado.Após andar por várias horas de baixo de um grande temporal consigo abrigo numa fazenda de búfalos onde o Senhor João (o caseiro da fazenda) me sede um lugar no barracão para poder me abrigar da chuva e tomar um banho quente. Logo pela manhã todo uma grande café da manhã com ele e sua família e sigo viagem. Em direção a Taquaril, chegando no povoado de Batuva, os moradores me mostram a trilha que liga os. dois povoados e me alertam que o lugar deve estar um lamaçal e que deveria pegar uma atalho no mangue, pois seria mais seguro. .Imaginem só depois de percorrer por duas horas a lama da trilha tive que pegar ainda 6 quilômetros e meio até chegar no mangue. Fiquei inúmeras vezes atolado até a cintura e com toda certeza, foi um dos mais difíceis trajetos da viagem, não sabia se continuava ou voltava , mas como quem esta na lama e para se lamelar, então literalmente virei caranguejo. Após 3 horas em meio à lama do mangue chego no povoado de Taquaril o primeiro povoado de São Paulo, e procuro um lugar onde posso me limpar, pois mais parecia um monstro do mangue. Quando avistei o posto de saúde pedi para os funcionários um pouco de água para poder me limpar, todos riram, pois nunca viram um homem-caranguejo, cujo corpo era pura lama preta e fedorenta.
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