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Entrevistas
de Dan Robson: REVISTA
AVENTURA E AÇÃO
Do Chuí ao Oiapoque - Trekking Do Chuí ao Oiapoque Fotos: Arquivo pessoal/Dan Robson Depois de percorrer 8.051 km o aventureiro Dan Robson Dias finalmente chegou ao seu destino final, o Oiapoque, no dia 30 de dezembro de 2001. A expedição começou na Barra do Chuí, no dia 31 de dezembro de 2000 e, nesses 365 dias, ele percorreu nada menos que 1.938 praias - caminhando, em média, 26 km por dia e contabilizando números e histórias bastante interessantes. A viagem que mesclou o estudo de equipamentos esportivos, mapeamento turístico, conscientização de preservação do meio ambiente, pesquisa científica - por meio da identificação e registro das plantas utilizadas pelos nativos - e uma análise psicológica, passou por 17 Estados e vai virar livro: "Areias, 365 dias de caminhada pelo litoral brasileiro". Para cumprir a jornada, o ex-analista de sistemas, de 32 anos, carregou nas costas 15 kg de equipamentos necessários para realizar o percurso. Barraca, lanterna, canivete, kit de panelas com fogareiro, sleeping bag, garrafa de água que também servia como filtro, um par de papetes, stanque - saco que protege os equipamentos eletrônicos da água - filmadora de 8mm, câmera fotográfica, materiais de higiene pessoal, além dos alimentos e algumas peças de roupas estavam entre os principais itens. Os principais saldos dessa travessia foram a solidariedade e as demonstrações de afeto. A metade das hospedagens foram feitas em casas de pescadores, à beira-mar, 30% em pousadas e hotéis e apenas 20% em sua própria barraca. Um detalhe peculiar nesse passeio de mais de 8.000 km é o fato de Dan ter caminhado sem utilizar filtro solar. Usava para proteger a pele, apenas, um óleo para regeneração celular no final do dia, formulado a partir de uma das espécies de plantas de Santa Catarina, pelo médico fitoterapeuta Suzumi Aoki. Outro detalhe peculiar: mesmo passando por milhares de praias, tomou apenas cinco banhos de mar. "O fato de passar por tantas praias acaba fazendo você enjoar um pouco daquela visão. Além disso, não me proporcionava uma sensação de refresco, era como se eu estivesse 'assando'", contou. O aventureiro, que fugiu duas vezes do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, para não ter de tomar as 17 vacinas necessárias antes de iniciar a viagem ("tenho 'fobia' de injeção", disse) contraiu apenas uma gripe durante toda a expedição. Passou quatro dias em estado febril no Rio Grande do Norte. O melhor momento da aventura foi, claro, a chegada ao Oiapoque. "Tinha vencido o cansaço, a saudade de casa, as horas em que não tinha onde conseguir o que comer e todas as dificuldades do percurso. Além disso, pude conhecer as belas praias de Jericoacoara e Camocim, no Ceará, e a Praia de Maragogi, em Alagoas. Cumpri a primeira parte do meu projeto. Aguarde o que vem por aí", empolga-se. A próxima investida de Dan será passar 61 dias no interior da caverna Santana, no PETAR, na tentativa de quebrar o recorde mundial anterior, de 45 horas. Os objetivos da permanência na caverna também serão efetuar experiências, como o comportamento à ausência de luz e reações psicológicas. ***Obs: o Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, possui um núcleo que oferece vacinas gratuitas para quem vai viajar. Para maiores informações, entre em contato com o Núcleo do Viajante: (11) 3896 1366. |