Revista Eco Aventura

3 Etapa do Projeto Areias365
Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba,
Rio Grande do Norte
(2.258 Km em 98 dias de pé na estrada).

Andar pela primeira vez em solo baiano foi como se estive caminhando ao lado de muitos parentes.
Por ser tratar da terra de origem do meu pai, recordei suas palavras e seus conselhos e do orgulho que preencheu seus olhos quando no principio lhe informei a mudança de vida que tinha escolhido para mim, e que ,a partir de agora iria dedicar minha vida em caçar aventuras para descobrir o limite da razão e da emoção.

Deixando para trás o Estado de Espírito Santos sigo em direção a primeira praia ao sul da Bahia, Costa Dourada, diferenciada pelos rochedos enormes de cor dourada, um lugar onde não existe luz elétrica, mas isto torna o local muito calmo e sereno e a praia ainda está totalmente preservada.

Seguindo viagem, chego a Mucuri onde encontro abrigo na casa de um pescador,o Sr Daniel Pereira Dias,(que tem o mesmo sobre-nome de meus parentes), e coincidentemente, o pescador que ofereceu abrigo poderia ser parente meu.
O Sr Daniel é conhecido pela região como o poeta do mar, onde Pereira já compôs centenas de poemas e versos ,nas noites animadas não perde a oportunidade de recita-los.

Na manhã seguinte, percebendo que meu caminho adiante seria complicado me informou nomes e lugares que facilitariam minha viagem, pois os próximo 200 quilômetros seriam necessários barcos para poder completar o trajeto, e assim a viagem foi mais tranqüila.

Em Nova Viçosa encontrei com um amigo de Daniel, que me levou até a Caravelas, e pude seguir viagem e conhecendo as belas praias de Porto Seguro e o Centro Histórico que formou toda a história do povo Brasileiro.

Descobri as belezas das praias de Arraial da Ajuda, Mundaí, Ponta do Mutá, até chegar em Santa Cruz Cabrália,e toda a região próxima a Porte Seguro é realmente fantástica, em Belmonte fiz um trajeto longo de barco foram (1 ½) hora até chegar a Canavieiras, onde notei a dificuldade do transporte daquela região e o sofrimento das pessoas que inúmeras vezes me pediam auxilio.

Passando por Ilhéus chego em Itacaré, onde o Sr Daniel me instruiu à procurar o Zé do Coco, um senhor com os seus 50 anos que pulou de alegria ao ter noticias do seu amigo, e me levou de barco até as margem de Maraú.

Gostando do método aplicado, por Sr. Daniel, cheguei na cidade de Barra Grande procurei por Piroca , que fez questão de me Hospedar em sua casa para ter noticias do amigo Zé do Coco, e assim foi todo o trajeto até chegar na ilha de Boi Péba, Ilha de Tinharé, Morro São Paulo, até chegar na ilha de Itaparica.

Todos os pescadores me trataram como um irmão sem nenhum preconceito e todos diziam que eu era um privilegiado por poder conhecer as belas praias do litoral Baiano, e deixei mais uma vez para traz grandes amigos, e continuei a viagem seguindo em direção à Salvador, Arembepe, Praia do Forte, Costa do Sauipe, praias que poderia passar meses, defrutando toda a beleza possível com uma hospitalidade inacreditável.

Chegando bem próximo a divisa com Sergipe, encontro com um baiano e dois goianos que trabalham na construção das torres de telefônia ,e que pela primeira vez na vida iriam ver o mar.

Como estávamos a 5 quilômetros de distância da praia ,tivemos a oportunidade de conversar muito pelo caminho, e era algo formidável.Eu uma pessoa que estava literalmente vivendo no mar e eles que nunca tinham visto nada além de rios.
Assim que chegamos na praia foi algo fantástico eles Gritavam: "Que mundão d'água meu Deus!!!" correndo como loucos de roupa mergulharam no mar e um deles gritava: "Não é que é salgado mesmo", foi uma emoção para todos nós, eles em ver pela primeira vez na vida o mar, e a minha por ter visto 3 homem se comportarem como crianças, e tive a certeza que não importa a idade o ser humano chegue, mas nunca deixará de existir a criança dentro de nós.
Em um breve adeus, deixo meus amigos para traz e sigo para conhecer o Estado de Sergipe.

Na praia do Saco sigo em direção a Abaís, e avisto suas dunas maravilhosas, em pouco tempo faço amizade com um morador local, que me sede pouso em sua casa e tive a oportunidade de conhecer a família de Beto, família humilde, o pai de Beto tem 7 filhos 2 deles deficientes mentais, e que recebem de todos um carinho que confesso não vi em nenhum lugar deste Brasil.Todos os irmão se unem para que possam dar condições para que seus irmãos com deficiência tenham acesso a educação e trabalho mesmo com suas deficiências.

Foi uma satisfação mesmo que por um dia, fazer parte daquela família, foi uma lição de vida, mesmo sendo humilde e com pouca posse, todos são extremamente unidos.

Isto faz minha viagem leve ,mesmo caminhando 20, 30, 40 quilômetros em um dia sem sentir dor, pois tenho a certeza que sempre no final da tarde encontrarei uma família ou um amigo que estenderá as mão para mim.

Chegando na Capital de Sergipe, Aracaju, me deparo com a beleza da orla da cidade, prédios belíssimos em meio aos coqueirais, e para seguir minha viagem, pego uma barca que me deixa próximo à praia de Atalaia Nova, seguindo pela orla notei que o dia estaria propício a fortes chuvas.

Mas mesmo assim teria que seguir viagem, pois na praia de Pirambú teria como me hospedar juntamente com os integrantes do Núcleo de Pesquisa do Projeto Tamar.

Quando a noite se aproximou, estava uma grande tempestade e os raios me deixavam apavorados, pois o ponto mais alto na praia era na verdade "eu", e como todos sabem um prato cheio para os raios.Os ventos fortes, a falta total de luz me deixaram sem saber se estava longe ou perto da cidade, o vento que vinha em direção contrária era tão forte que várias vezes me empurrava para traz, quando por volta das 9 horas cheguei na cidade, estava na verdade do outro lado da margem, e tive que acordar um pescador para que pudesse levar-me a outra margem.
Passei um período sufocante.Após 12 horas de viagem cheguei em fim no projeto Tamar onde descansei e tomei um bom banho quente.

Chegando em Alagoas tive a oportunidade de conhecer a cidade de Penedo e suas exuberantes igrejas, com sua arquitetura do século XVII.

Em Alagoas comecei a perceber que as praias tinham algo mais que outras do Brasil,muita conscientização Ambiental, cada passo que dava encontrava com praias limpas e de água calma, o que realmente me espantou foi o cuidado que os moradores tem com sua orla.

As praias de Feliz Deserto, Pontal do Curuipe, Lagoa do Pau, Praia do Francês, são praias lindíssimas, e também toda a orla marítima de Maceió, Ponta verde até a praia de Riacho Doce.

Mesmo com a poluição de uma grande Capital, Maceió toma conta para que a poluição não chegue às praias.
Seguindo em direção ao norte do estado passando pela praia de Floriano Peixoto, Barra de Santo Antônio, Barra do Camaragibe, Porto de Pedras, chego em fim a praia de Maragogi, em minha concepção, a praia mais bela do Brasil,(absurdamente,lindíssima) e a região ainda preservada, tem um mirante privilegiado, as Gales "barcos" que levam os turistas até as piscinas naturais e o mais importante, um local totalmente seguro sem assaltos ou outro tipos de transtornos causados pela falta de segurança, sem dúvida nenhuma o estado de Alagoas possui em sua orla praias que são as mais belas do planeta.

Seguindo Viajem a São José da Coroa Grande, estou já em território Pernambucano e percebo a existência de muitos rios, onde tive dificuldade para achar pescadores porque o inverno no nordeste é muito chuvoso e com a baixa temporada os pescadores literalmente desaparecem de toda a região. Muitas vezes dei a volta pela estrada para chegar em outra praia.

Passando por Tamandaré, Barra do Sirinhaém, Porto de Galinhas , chego por fim a Cidade de Recife, uma grande Capital ,mas muito violenta, onde em minha passagem os policiais pediram para que tomasse muito cuidado, pois minha presença poderia chamar atenção do malandros que rondam principalmente a noite pela cidade.

Como de costume agradeci o aviso e passei pela cidade com um pouco mais de cautela, procurando não viajar a noite, pois o risco se multiplicam ainda mais .Em Olinda, cuja cidade é um patrimônio da humanidade e não falta lugares magníficos para se conhecer,( museus, prédios históricos, e muita história ronda toda a cidade de Olinda) e depois de desfrutar da cultura local ,continuei seguindo em direção a Ilha de Itamaracá, passando por Rio Doce, Pau Amarelo, Maria Farinha, até chegar a uma ilha maravilhosa, Ilha Coroa do Avião, onde juntamente com os proprietários dos restaurantes da ilha tive o privilegio de acampar na ilha e bem cedo seguir minha viagem.
Pela primeira vez acampado em uma ilha,.eu e um vigia com seu cão.

Ao deitar na areia , acompanhei uma maravilhosa cena , a lua brindava aquela noite, foi uma das mais belas noites que passei em toda minha viagem.

Já pisando em solo Paraibano passei por Pitimbu, uma praia bem isolada onde percorri todo os seus 8 quilômetros sem encontrar com ninguém na praia.Seguindo em direção a João Pessoa passei ainda por Abiaí, Jacumã, Sol, Ponta do Seixa, até chegar na praia de Tambaú onde deixei um pouco as praias e me aprofundei pela cidade de João Pessoa.

Conhecendo o centro histórico da bela cidade, é exatamente para quem gosta de passear com inúmeras opções, que é percorrer de trem de João Pessoa até as praias de Cabedelo, um passeio nostálgico, pois a linha na verdade foi toda reformada para fornecer ao turista um belo passeio turístico e cultura.

Depois de conhecer este belo trajeto, voltei a João Pessoa e fui conhecer as praias de Bessa, Areias Vermelha, Formosa, Costinha até chegar nas barcas que levam em direção a Lucema onde novamente fiz amizades, e gentilmente ofereceram seus barcos para atravessar até as regiões de Bonsucesso, Coqueirinho, Baia da Traição, chegando até a Barra do Camarabuba bem próximo ao Estado de Rio Grande do Norte.

Após 5 dias de chuvas fortes percorrendo o estado , chego por fim a praia de Simbaúma, perto de Pipa, onde peguei um forte resfriado e por ventura uma febre, onde pela primeira vez na viagem fiquei doente.Como não existia nada por perto pedi para um pescador se poderia montar acampamento em frente a sua casa, pois não estava mais em condições de seguir viagem naquele momento.

Vendo meu estado febril, o pescador Sidnei me acomodou debaixo de um abrigo, ( como estava em baixa temporada) eu poderia colocar a barraca ali, e não iria atrapalhar em nada.Rapidamente me acomodei e dormi o dia inteiro.

Na manhã seguinte algumas crianças me acordaram ,eram todos os filhos de Sidnei, e perguntei para o mais velho se ele havia tomado café, e ele me respondeu que não. Eles não tinham o que comer, pois seu pai Sidnei estava com dores na perna e não podia sair para pescar,e não tinham dinheiro.Vendo toda esta situação não pensei duas vezes e pedi para o rapazinho me levar até uma venda local, onde fizemos uma compra para a família toda.Quando chegamos com a comida, não sabiam como me agradecer, e disse a eles que o mínimo que poderia fazer por ser inúmeras vezes ajudado e acolhido por outras pessoas, era ajuda-los.(Valeu Sr.Sidnei!!!!!!!).

Fiquei com eles por 2 dias até cessar minha febre e pude seguir viagem rumo a Natal, chegando na capital ,já curado de toda a febre e bem disposto pude conhecer as belas praias como, Rendinha, Genipabu, Muriú, Maracajaú, verdadeiras pinturas para meus olhos, onde conheci toda a tradição local e costume do povo da região, seguindo viagem passando por Zumbi, Rio do Fogo, chego por fim à praia de Calcanhar onde tive o privilegio de ser hospedado pela Marinha e conhecer o farol mais alto do Brasil com seus 62 metros de alturas em mais de 295 degraus, uma vista privilegiada, onde é possível ver toda a orla da cidade de Touros.

Seguindo agora não mais no sentido Norte, mudo meu rumo e sigo em direção ao Oeste do país onde o Sol agora acompanha minha direita, passando por São Miguel do Gostoso, Reduto, Morros, Marcos .Chego em Exu Queimado, nome dado para o inseto "Marimbondo Queimado", onde Dona Josefa me hospedou ,em sua casa, um bar restaurante, que na alta temporada é super lotado.O lugar é tão isolado que ainda preserva na praça um lugar especial para acomodar a televisão para que nos fins de semana todos possam assistir televisão .Nesta região o tempo literalmente ficou congelado, apesar dos 35 graus que são aqui chamados de brisa.:L

Seguindo minha viagem passando por Galinhos, Guamaré, Barreiras, chego em Macau, pólo industrial na produção e extração do Sal, aqui sai 90 % da produção de todo o Brasil, onde conheci Teodoro um operário de uma das inúmeras salinas da região que me alertou que não existe como chegar até Porto dos Mangue, pois as antigas balsas foram desativadas e somente os operários das salinas podem ser transportados , mas que daria um jeito brasileiro para me ajudar.Permaneci mais um dia para que seu chefe pudesse me autorizar a entrar na fábrica e segui viagem com os operários, e foi assim com esta gentileza das salinas de Macau e principalmente com ajuda de Teodoro, que poupei longos 150 quilômetros de asfalto.

Chegando em Porto dos Mangues continuei a viagem na manhã seguinte passando por Rosado, Pedra Grande, Redonda, até chegar na ultima praia do Rio Grande do Norte, a cidade de Areia Branca, onde fui muito bem recebido pela primeira Dama que me ofereceu um grande jantar para homenagear minha estadia na cidade, fiquei lisonjeado pela hospitalidade dos lideres políticos daquela região.