Transamazônica em duas rodas

Heloísa CestariDiário do Grande ABC 19 de Fevereiro

Enquanto a maior parte dos cicloturistas escolhe roteiros que aliem belas paisagens e boa infra-estrutura para pedalar, outros preferem justamente os lugares menos propícios para se encarar de bicicleta. É o caso do aventureiro Dan Robson, 34 anos, que retornou a sua casa em São Bernardo do Campo no último dia 10, depois de passar mais de 70 dias cruzando o país de Oeste a Leste pela precária rodovia Transamazônica, desde o Rio Branco, no Acre, até a capital paraibana de João Pessoa.

Embora o percurso entre as duas capitais seja de aproximadamente 4,5 mil quilômetros, os desvios e obstáculos levaram o ex-analista de sistemas a ter de pedalar mais de 6 mil quilômetros para chegar ao mesmo destino. Isso sem falar nas subidas e descidas que o próprio aventureiro qualifica como "descomunais".

E o que é pior: em época de chuva. "os últimos 21 dias foram inteirinhos debaixo de água. Nessa época, a Transamazônica fica praticamente intransitável; bem difícil terminar a viagem", conta Dan Robson, que caracteriza o roteiro como belíssima e, ao mesmo tempo assustador, já que fica longe de qualquer lugar onde se possa pedir socorro caso suja algum imprevisto.

"Antes de iniciar o percurso, peguei algumas informações no 54 Batalhão de Selva da Amazônia, que me orientou quanto ao cinco piores problemas da região: o risco de contrair malária, as péssimas condições da estrada em si, os assaltos, os conflitos entre índios e garimpeiros, e os animais como onças e cobras. Mas o pior de tudo é a malária que pode matar se não for tratada a tempo".
Como compensação a essas dificuldades e à falta de socorro, Dan destaca a infinidade de tipos de frutas que podem ser colhidas ali mesmo, bem à margem da rodovia, como a manga, ìnga, cupuaçu, maracujá silvestre e banana, entre outras. "De fome ninguém morre na Transamazônica."

A próxima aventura de Dan Robson está agendada para setembro, quando deverá descer o rio Tietê de caiaque desde a nascente até o centro de São Paulo, coletando amostras de água a cada 1 Km para posterior análise dos resíduos tóxicos. Enquanto isso, o roteiro desta viagem e de outras você poderá ver no site do nosso Indiana Jones, www.dan.com.br